SOBRE PERCURSOS ACADÉMICOS E PROFISSIONAIS...


Admiro genuinamente quem consegue escolher a profissão que pretende exercer aos 18 anos. Aos meus 18 anos, tudo o que eu queria era a minha independência financeira e sair com os meus amigos. Mesmo antes de terminar o secundário, tomei a decisão consciente de ir trabalhar e optar por não seguir para a faculdade. A minha ideia nunca foi colocar a faculdade de parte, mas eu não sabia o que queria fazer - só a ideia de pensar que tinha de decidir algo praticamente para o resto da minha vida deixava-me literalmente em pânico.



E não era a questão de não ter objectivos ou ambições - era ter demasiadas. Sempre fui uma pessoa curiosa por natureza e confesso que ao longo da minha vida, tive oportunidade de conhecer pessoas com histórias interessantíssimas e com empregos nas mais diversas áreas; o que obviamente só me aguçou ainda mais a indecisão. E tinha inveja, de verdade, dos meus amigos que sentiam uma espécie de vocação: posso enumerar uma mão cheia de colegas de escola que não só sabiam perfeitamente o que fazer da vida há um anos atrás, como estão a fazê-lo agora. Uns mais satisfeitos do que outros, obviamente.

O meu percurso foi diferente.

Aos 18 anos, encontrei o meu primeiro trabalho a sério, onde estive praticamente cinco anos. Em perspectiva, não consigo sequer enumerar o que aprendi por lá. Não só com o trabalho em si, mas com as centenas de pessoas com quem contactava todos os dias e com as inumeras experiências que vivi. Tive as minhas primeiras vitórias, os meus primeiros estímulos e as minhas primeiras frustrações por lá e, apesar de ter sido (e ser) um sítio que guardo com tanto carinho e onde fui tão feliz, eu queria mais e acabei por me despedir. Entretanto, e até aos meus 25 anos, tive mais meia dúzia de trabalhos, em caminhos completamente diferentes, onde aprendi precisamente o que queria e o que não queria na minha vida profissional. Passei obviamente pela fase terrível do desemprego, passei por ordenados mais e menos satisfatórios, por chefes muito diferentes e pelas mais diferentes posições. Foi preciso tudo isso e 25 anos para eu começar a excluir hipóteses - sim, porque ainda não me decidi. 

E não faz mal. Durante alguns anos pensei que tinha ditado a minha vida quando decidi não entrar na faculdade e, sinceramente, estou de bem com essa decisão agora. Cada vez acredito mais que os 20's são a idade em que tomamos as grandes decisões e só nos 30's as começamos a viver em pleno. A aprendizagem que eu retive nestes últimos anos - claro que não apenas relacionadas com o mercado de trabalho, mas com a vida no geral - é praticamente inexplicável e define-me. Define-me enquanto pessoa e começa a definir finalmente o meu caminho. Tudo isto para dizer que também foi só aos 25 que percebi que a vida de cada um de nós tem o seu próprio calendário. Aos meus 18 anos, eu não tinha maturidade suficiente para tomar uma decisão com uma magnitude tão grande na minha vida mas sei que estou perto de tomá-la agora e a faculdade começa finalmente a fazer parte dos meus planos. 

Estou muito curiosa para saber as vossas experiências. Sempre souberam o que escolher na faculdade? Estão felizes com o que está a acontecer na vossa vida?

22 comentários:

  1. awww, completamente, meu bem. Nunca pensei que fossemos tão idênticos nesse sentido :D

    És um orgulho, sabes?! Se soubesse o que sei hoje jamais teria ingressado na universidade assim que terminei o secundário. Possivelmente teria feito um gap year, afim de perceber o que realmente queria. Sinto que a licenciatura não me deu aquilo que eu queria, daí ter prosseguido para o mestrado logo em seguida. Aí, sim, com bases diferentes, percebi o que realmente queria. Hoje em dia sou lojista. Não é o pior trabalho do mundo porque estou numa loja que gosto, mas é compensador a nível pessoal tendo em conta que me fez aprender trabalhar! <3

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    InstagramFacebook Official PageMiguel Gouveia / Blog Pieces Of Me :D

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  2. bem que texto tão real e tão bem escrito.
    Eu, quando me candidatei à universidade o curso que eu queria era marketing, mas sabia que naquela altura - 2008 - se o tirasse iria para o desemprego. Optei por línguas porque achava que me daria acesso a jornalismo. Totalmente errado. 3 anos depois com o curso na mão dei explicações durante 2 anos que estive desempregada. Ao fim de 2 anos comecei a trabalhar numa área que me era familiar mas totalmente desconhecida - comercial têxtil. Hoje, 4 anos depois estou feliz com a minha decisão. Nem todos os dias são fáceis já encontrei todo o tipo de chefes e colegas mas estou bem e feliz com a minha decisão.

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  3. Uma dificuldade com que muitos jovens se deparam.....escolher uma profissão...hoje em dia, e como o mercado de trabalho não está grande coisa, acaba muitas vezes por se escolher em função das saídas profissionais, e não pelo gosto de ter esta ou aquela profissão.

    Isabel Sá
    Brilhos da Moda


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  4. Sempre fui muito decidida e tive sempre planos bem definidos na minha cabeça para aquilo que queria da minha vida. Estudar é que sempre foi incógnita. Dizia que não queria ir para a universidade mas, se fosse, seria para estudar jornalismo. Depois no 12º ano tive a disciplina de Psicologia e senti "o meu chamado". Era aquilo. No dia em que me sentei pela primeira vez com um cliente, numa consulta, estava assoberbada com a sensação de "é isto que quero fazer a minha vida toda". Infelizmente (ainda) não tive oportunidade de exercer depois dos estágios, mas tenho tido trabalho e isso é o mais importante nesta fase da minha vida.

    Atualmente estou a fazer algo que nunca imaginei e, apesar de não ser o meu sonho, também sou muito feliz a fazer isto. Também já tive um desses momentos de "não me importava de fazer isto o resto da minha vida". Acho que não há uma só vocação, uma só coisa onde somos bons. Eu tenho imensos interesses diferentes, gosto de coisas diferentes e gosto de trabalhar, de fazer coisas. Sei que, se um dia sair deste emprego, encontrarei igualmente algo que me preencha porque também dou essa oportunidade às coisas que me vão aparecendo. Dedico-me de corpo e alma a todos os projetos onde tenho estado e isso também facilita o processo de me imaginar a fazer todo o tipo de coisas diferentes.

    Enfim, tudo isto para dizer que nunca é tarde para seguirmos os nossos sonhos e que não há, para mim, uma só coisa onde podemos ser bons e felizes. Basta darmo-nos essa oportunidade de aprender, de crescer, de retirar de todas as experiências coisas positivas. Assim como assim, hoje em dia ninguém tem empregos para a vida, o emprego aos 25 anos não será o mesmo que aos 40. Temos muitas opções para experimentarmos e encontrarmos o que realmente nos realiza e preenche :)

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  5. Tu és o amor em pessoa. Nem sabes como gosto da forma como escreves e como nos transmites os teus sentimentos.
    Para responder às tuas perguntas, eu desde o oitavo ano que sei que quero seguir ciências da comunicação e foi esse o caminho que segui e que estou a seguir. Sempre fui tão focado no que quero ser que posso ter perdido momentos importantes que me passaram ao lado por estar tão focada no que tinha de fazer para o meu futuro. Mas bem, já estou melhor e tento trabalhar e conhecer outras áreas para saber o caminho a seguir.
    E quanto a ti, desejo-te o melhor e espero um dia conseguir tomar um cafezinho contigo.
    Beijinhos <3
    www.lightstreetfashion.blogspot.pt

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  6. Que belo post, Cátia. Partilho da tua opinião - acho que ninguém tem a certeza com essa idade, e para mim foi um drama escolher. Ainda hoje, já de canudo na mão e trabalhando na área, não sei o que quero e tenho quase a certeza que não vou trabalhar nesta área toda a vida: não é o que o meu coração pede, mas infelizmente as minhas paixões "à séria" não têm o mínimo de estabilidade, que é importantíssima para mim. Não sei, acho que estamos sempre a aprender e a vida pode dar a volta a qualquer momento - mas faças o que fizeres, o que importa é estares sempre disposta a aprender mais e mais! :)

    Jiji

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  7. Eu já acho que foi madura demais para tomar a decisão que tomou as 18.
    Pq vc não agiu por impulso. Mesmo não sabendo qual área seguir, segurou e investiu em outras prioridades e não se matriculou no primeiro curso que viu.
    Comigo foi assim tb
    Eu sabia a área que queria seguir, mas sabia que seria dificil consegui trabalho com ela. Por isso, trabalhei e reservei =D
    Adorei conhecer sua experiência.

    Beijos

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  8. Sempre quis ser dessas pessoas que nascem a saber o que querem ser quando forem grandes.
    Fiz até ao 9°ano, no 10° fui para Ciências e Tecnologias porque não queria mudar de escola e quando terminei fui para um curso que nada me dizia porque era para aquele que eu tinha média.
    4 anos se passaram, com a licenciatura ainda por acabar e com 0 vontade para o fazer. Cheguei a falar com a minha mãe, dizer-lhe o que sentia e ela incentivo-me a continuar uma vez que se não fosse o curso eu não teria "nada para fazer". A minha maior vontade é desistir, deixar o curso, não nasci para isto mas depois de tanto esforço da parte dos meus pais para me pagarem tudo isto quero acabar por eles. Mas estou tão farta.. quero ir trabalhar, ganhar o meu dinheiro, juntar-me com o meu namorado e descobrir as coisas de que gosto.

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  9. Fizeste o que achaste correto para ti e se pelo caminho foste aprendendo algo, melhor ainda.
    Eu não fui para a Universidade, nem nunca quiz ir. Porquê? Infelizmente não tive uma boa experiência no percurso escolar, fui vítima daquilo que hoje tem o nome de bulling e por isso fiquei com trauma à escola e a tudo que implica... Não me sinto menos pessoa por isso, mas tive de aprender a viver com o estigma que algumas pessoas te criam por não seres "estudada". Enfim, tou quase nos 30 e tenho uma empresa de decor e acabamentos de interiores, muitas responsabilidades e dores de cabeça, mas para a frente é que é o caminho e ando sempre na luta :) aprender, aprendo na mesma pois quando somos curiosos a vida trata de nos dar as devidas lições sobre tudo um pouco.
    Desejo te o melhor do mundo!
    Beijinhos***

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  10. - Identifico-me tanto com este texto. Sempre tive inclinação para Psicologia mas como era um curso que não tinha muita saída profissional fui para Marketing, acabei por não me identificar muito e não gostei nada do estágio onde estive a trabalhar sozinha e não com o apoio de um profissional e senti que não aprendi nada. Agora também ando um bocado perdida, trabalho como esteticista, que também é uma coisa que gosto muito, mas tenho sempre o peso do curso que tirei e que provavelmente nunca vou dar grande uso :/

    - A Haskell é maravilhosa :) Uso bastantes produtos da marca e adoro, é um pouquinho mais cara mas vale a pena. Outra marca que também é muito boa é a Bioextratus. Estou num grupo no Facebook que é o Cronograma Capilar Portugal, tens lá muitas dicas de como melhorar o cabelo, consegui ter o meu bastante mais saudável graças ao que aprendi lá!
    Quanto aos locais de venda da marca, se fores ao site deles, têm lá as lojas onde se vende Haskell :)
    Beijinhos!!

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  11. Decidi ir para a faculdade porque assim o é exigido para realizar a profissão que quero, educadora de infância e, de certa forma, sempre soube o que quis ser!

    Beijinhos,
    Inês
    http://www.indiglitz.pt

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  12. Eu fui para a faculdade e apesar de hoje não por em prática a minha licenciatura, não me arrependo em nada. Fui uma experiência brutal a nível das relações humanas, viver sozinha, gestão de tempo e dinheiros. Bem como todas as pessoas incríveis que conheci e que ainda hoje são uma grande amigas :D Sei que hoje não era a mesma pessoas se não tivesse passado por ali, foi um boost de maturidade e experiências.

    Beijinhooo
    Rtissima Blog

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  13. Aos 18 anos queria ir para a faculdade mas não fazia a mínima ideia que curso escolher, pois nunca encontrei "a tal vocação"!
    Hoje em dia, tenho objetivos definidos e estou feliz com os cursos que tirei pois acertei em cheio! :P

    amarcadamarta.blogspot.pt

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  14. Eu não fui para a universidade e nem pretendo. Se calhar fico a perder para uma profissão, eu sei disso mas não é algo que ambicione. Eu quando estava na escola estive mesmo a pensar em seguir medicina mas não era algo que eu queria muito, era mais pela minha mãe e claro... decisão errada. Nem segui com a ideia. Arrependo-me de não estudar mais, isso sim mas não na universidade. Prentendo tirar um curso mas diferente, entendes? Eu sempre quis também a independência financeira mas infelizmente estou neste momento a passar pela tal fase horrível do desemprego e pior sem receber um tostão.

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  15. Eu sempre sonhei em ir para a faculdade, até chegar o momento e dizer aos meus pais que não queria ir! Lá insistiram imenso comigo e fui, achei que para o curso certo mas cada vez acredito mais que se calhar não foi a melhor escolha. Acho que com 18 anos são raras as pessoas que têm a certeza absoluta do que querem fazer para o resto da vida. Beijinhos*

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  16. Excellent post (as always)!Thank you very much :)

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  17. Honestamente, acho extremamente importante a reflexão que tu fizeste aos 18 anos!
    Há muitos jovens a seguirem para a faculdade (e até a escolherem cursos) por imposição, o que não é nada benéfico, quer ao nível de experiências, quer ao nível de resultados. E uma etapa que poderia ser riquíssima em descobertas, acaba por ficar marcada por várias frustrações.
    Desde pequena que quero ser educadora e essa vontade intensificou-se com o tempo. Por volta do 9º/10º, ainda ponderei seguir jornalismo, mas rapidamente voltei às origens. Apesar disso, ir para a faculdade sempre foi um objetivo. Felizmente, traçado por mim e incentivado pelos meus pais, nunca imposto. Talvez ter esta liberdade de escolha me tenha levado nesta direção, porque sempre senti que, fosse qual fosse a minha decisão, teria sempre o apoio incondicional deles. Agora estou à procura de emprego e mesmo não sendo fácil, não me arrependo nada do percurso que escolhi seguir.
    Tiveste uma atitude de grande maturidade, minha querida! Porque soubeste reconhecer que não estavas preparada para uma decisão tão definitiva e foste descobrir outras coisas, ao teu ritmo. E assim tem outro valor :)

    r: Mal seja possível, partilho a minha opinião, claro!

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  18. Olha eu ando na faculdade mas acredita, há dias em que só me apetece desistir! Gosto imenso do curso mas sinto-me tão mas tão cansada!! Se eu soubesse o que sei hoje, teria tirado um ano de intervalo!

    Beijinhos
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  19. Quem me dera ter pensado como tu nos meus dezoito anos e ter feito uma pausa antes de ir para a Universidade, hoje sinto-me um pouco arrependida pelo curso que tirei e estou na indecisão de faço ou não mestrado.
    Beijinhos
    http://virginiaferreira91.blogspot.pt/

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  20. Que boa reflexão que fizeste tu aos 18, eu também não segui a faculdade tal como tu quero a minha independência e tenho procurado trabalho mas esta um pouco complicado, enquanto isso faço algumas coisas que gosto como hobby.
    http://retromaggie.blogspot.pt

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